Nerds mandam bem

Meu amigo skyegg compartilhou esse texto legal no reader dele, o que me fez lembrar de outro texto que eu tenho guardado. Achei esse texto  lá num cantinho escuro do site do Aurélio há muitas e muitas luas atrás. Não faço idéia de quem é a autora, se alguém souber, por favor me avise para que eu coloque os devidos créditos e possa mandar um caixa de bombom para ela. 😀

Aqui vai:

Nerds mandam bem Pra começo de conversa, vamos definir a que tipo de nerd estamos nos referindo. Lógico que não são aqueles nerds sem vida social – se, afinal, afirmamos que eles mandam bem, estamos nos referindo aos nerds-que-comem-mulher. Aos que ainda acreditam nos estereótipos mostrados no cinema, Jerry Lewis, Irmandade Lambda Lambda Lambda, meus pêsames. No planeta de onde eu vim, nerd é aquele cara (ou garota) que nutre alguma obsessão por algum assunto a ponto de a) pesquisar; b) colecionar coisas; c) fazer música; d) escrever sobre (normalmente acompanhado de pesquisa); e) não sossegar enquanto não descobrir como funciona; f) não dormir enquanto o programa não rodar – o que não quer dizer que não se relacionem com o sexo oposto.

Enfim, nerds comem mulher sim, e bem – e aqui a gente afirma como e por que isso é verdade.

Aparência

As aparências não enganam: os óculos são de tanto ficar grudado no micro ou na tevê desde criancinha. A má postura é aparente, às vezes com inclinação pra um ou outro lado – provavelmente por carregar o notebook. Ele tem calos nas bases das palmas das mãos – e isso não tem nada a ver com punheta, mas com mouse e digitação. Às vezes o visual é moderno, retrô, desleixado, arrumadinho demais… tanto faz, nega. O fato é que, se você não conheceu ele pela internet, provavelmente ele é bonito, senão não haveria aquele contato visual que determina se a outra pessoa é interessante ou não. Aliás, mesmo caras que você conhece pela internet podem ser lindos. Ou ele é feinho, mas você está apaixonada pelo intelecto dele, pela conversa, sei lá, e acha ele maravilhoso. Portanto, se você tem um nerd em suas mãos, ele é maravilhoso – e foda-se a má postura, se ele estiver deitado ou de quatro em cima de você, isso é o de menos, acredite.

Refinamento cultural

Nerds lêem. Nerds pesquisam. Nerds gastam 70% do salário em música. Nerds adquirem conhecimento. Não importa em que área, o que importa é que o vocabulário deles é ilimitado. Um “Você é a estrela mais brilhante do céu” certamente virá acompanhado de uma aula sobre o Sistema Solar onde você descobrirá que, na classificação de tamanho das estrelas, a Alfa é a estrela mais brilhante de uma constelação, e se o Centauro é a constelação mais perto do nosso sistema solar, você é a Alfa-Centauro brilhando no coração dele. Um bilhetinho com uma letra de música nunca, graças a deus, nunca vai ser uma letra cafona do Bryan Adams: ele sempre vai achar uma banda obscura, um cantor performático, ou vai te convencer de que aquela guitarra FALA, e é sobre amor. Ele pode inclusive escrever um conto em sua homenagem, fazer cartões feitos de disquetes obsoletos, realizar instalações artísticas em vídeo digital, criar uma conta no servidor dele pra você baixar o que quiser do HD dele, mas NUNCA, NUNCA, NUNCA vai demonstrar seu amor chamando aqueles carros com alto-falante e fogos de artifício. Nunca. Pense nisso.

Dedicação

O nerd-padrão tem tesão no mecanismo das coisas. Do mesmo jeito que quando ele era pequeno, desmontava relógios pra saber como funcionava, hoje ele quer saber como a sociedade se porta perante problemas, como funciona uma distorção, qual a aplicação do efeito doppler para descobrir a idade de uma estrela, ou melhor ainda, qual é a melhor maneira de te fazer gozar. Vai se dedicar a descobrir cada movimento que te dá prazer, vai tentar decifrar cada gemido seu, vai olhar bem pra saber onde está metendo a língua, vai cuidar de você como se fosse o seu set de dados de RPG. Principalmente para não perder o D4.

Fora dos padrões

A melhor coisa dos nerds, sem dúvida, é que eles não são como os outros caras. Lógico que eles acham a Ellen Roche gostosa, que idéia, mas na prática eles gostam de garotas branquelas, magrelas ou com barrigas macias e apertáveis, esquisitinhas, com maquiagens estranhas, sem maquiagem alguma, garotas-fetiche de couro e vinil, garotas aparentemente sem charme mas que tenham lido “Uma Breve História do Tempo” e entendido. Ou seja, tem pra todas. Não tem essa de “eu não faço o tipo dele” – todas fazem, desde que o conteúdo siga a mesma linha do dele, ou que o gosto musical seja razoavelmente parecido. Fica tranqüila.

Teoria do Caos

Você nunca pode prever um nerd na cama. Aquela cara magrelo e aparentemente inofensivo pode ser um vulcão e te dar vários tapas na bunda e te pegar de jeito – e o melhor, ele é magrinho, não vai te machucar, maravilha. Aquele outro que se apaixona facilmente por qualquer mulher que sorri pra ele pode esconder um kit SM no armário. Aquele outro ali que ouve RPG Metal e tem cara de que nunca comeu ninguém, não duvide, ele pode estar envolvido em rituais pagãos envolvendo orgias à luz da lua e sacrifício de virgens. Aquele outro que passa o dia visitando sites de sexo bizarro com animais, anões e ets pode ser um gentleman e fazer aquele papai e mamãe básico cheio de carinho e beijos e abraços que a gente adora. Você não tem como prever, eles são esquisitos, eles são freaks e isso é excitante demais. Rotina? Só se for rotina em C++.


É por isso que eu e minhas amigas somos partidárias do movimento “Nerds Mandam Bem”. Porque se eles não dormem enquanto o programa não roda, eles não gozam antes de te fazer gozar. Se eles sabem a estratégia perfeita para matar um orc com uma adaga independente da pontuação, eles sabem te conquistar. Se eles devoram todos os livros que vêem pela frente, sempre saberão as palavras certas pra te deixar excitada só de ouvir. E porque se eles amam tanto sua coleção de discos, podem amar você também.

Autora desconhecida (por enquanto)

Rapel, pela primeira vez na vida… :)

Semana passada recebi um convite da minha amiga Geda, era para ir passar o sábado em Ponta Grossa, uma cidade que fica a uma hora e meia daqui de Curitiba, e fazer rapel na Cachoeira São Jorge. Vimos as fotos do lugar, parecia ser legal. Montamos nosso lanchinho com frutas frescas, suco, água, biscoitos, frutas secas, barrinhas de cereal e lá fomos nós.

Saímos de Curitiba as 7h, era um grupo de mais ou menos 15 pessoas, da academia que a Geda treina. A cachoeira fica dentro de uma propriedade particular, que cobra R$4,00 pela entrada, deixamos o ônibus na sede da fazenda e descemos uns 500 metros a pé, seguindo o rio São Jorge. O lugar é lindo, o rio forma vários poços, alguns de 7 metros de profundidade, demos uma boa olhada em tudo. Lá formou-se um vale enooorme, lindo, e foi numa das paredes do vale que descemos até a cachoeira, uns 50 metros de descida. Lá de cima eu não fazia idéia do que ia encontrar assim que descesse alguns metros… hehehe. A vista é linda, árvores, parede de pedra, a cachoeira à direita, o rio lá embaixo, várias pedras e claro, o anjo (um dos guias que fica lá embaixo cuidando de quem desce), e sim, é verdade, dá um alívio danado quando se vê o anjo lá embaixo, ele estava sobre uma das pedras, segurando a corda.

Fui avisada para cuidar e não meter o pé no vespeiro que tinha no início do negativo, maravilha, lá fui eu. Sou meio apavorada de natureza, estava beeem tensa, mas queria ir olhando tudo, nada de só descer, ou descer olhando a pedra e nada mais, fui devagarinho, xeretando tudo, o vespeiro era um deles, tinha mais de 10, uns pequenos e em atividade como esse de que fui avisada, e outros que ficavam mais longe e muito grandes, vi as camadas da pedra, plantinhas e tudo o mais que tinha na parede. No negativo a história é outra, fiquei lá, soltinha, sem me preocupar com parede pra ralar, tive uma visão geral do lugar, pude me ater aos detalhes, às pessoas sentadas lá embaixo, ao curso do rio, ao som da água caindo, ao céu azul lá em cima, às gotinhas de água que alcançavam… o anjo puxou a corda e segurou firme, é a hora de soltar as mãos e respirar um pouco. Terminei minha descida, estava mais calma já, mas ele pareceu preocupado, minha cara não devia estar muito legal…hehehe… tensão e asma é assim mesmo, a respiração fica bem doida… hehehe… mas logo voltou ao normal… molhei o cabelo e o rosto no rio, e deitei em uma pedra esperando a Geda, que era a próxima. Lá de baixo que se pode ver o quanto você desce, e o quanto é bonito lá. Para voltar há uma trilha entre as pedras e árvores, uns 15 minutos até voltar para a ‘base’.

Desci somente uma vez, ia descer mais uma, mas não deu certo. Mas já estamos pensando em montar um grupo e ir novamente no início do ano que vem. Vimos que será melhor um grupo menor, no máximo umas 10 pessoas, assim não é preciso revezar os equipamentos (não tinha para todo mundo). Vi que é seguro e muito legal, que posso levar meu filhote junto e aposto que ele vai adorar. Me queimei um pouco no sol, meu braço esquerdo ainda dói um pouco, mas o passeio foi ótimo. Obrigada, Gedinha! Em 2008 tem mais… 🙂

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