Saúde, Vó!

A toast with beer, ice cream and empadão.

Hoje foi um dia especial. Seria o aniversário de 93 anos da minha avó. Ela faleceu em Novembro do ano passado. Eu queria uma forma de lembrar dela, mas de um jeito não triste, sem lágrimas, sem flores.

Ela dizia que para ela o mundo podia acabar em empadão, cerveja e sorvete. Então, eu decidi que cozinhar seria a melhor maneira de celebrar hoje.

Eu fiz um empadão e enquanto cozinhava, tomei uma cerveja e depois tomei outra enquanto comia o empadão. Viva! O sorvete será comido daqui a pouco, não se preocupe.

Ela foi muito importante para mim, não queria que hoje fosse um dia triste. A vida dela não foi fácil e os últimos anos ainda mais difíceis. Mas ela era gentil, educada e nossa, eu amava vê-la sorrir com aqueles olhos “cor de burro quando foge” segundo ela mesma. Eram de um azul clarinho lindo.

Ela vive na minha memória. Prost, Vó!

Saudade

Grandma
sau·da·de
souˈdädə/
noun
  1. a feeling of longing, melancholy, or nostalgia that is supposedly characteristic of the Portuguese or Brazilian temperament.

Uma das coisas que mais sinto falta nesses tempos é ligar para minha vó e conversar. Não, ela não faleceu, ainda está viva mas não tem condições de conversar como nós fazíamos. Acho que se ela pudesse escolher viver assim ou ser pózinho de estrela, não tenho dúvida que ela já seria estrelinha, mas esse é outro assunto e bem complexo…

Eu ligava para ela quase todo dia, só para papear mesmo. As vezes tinha algo para contar para ela ou alguma coisa engraçada que eu sabia que ela ia rir bastante, outras vezes eu só estava me sentindo triste e falar com ela mudava meu humor na hora.

Agora já perdi a conta de quantas vezes pego o telefone para ligar para ela e conversar, para ouvir a voz dela, para ouvir ela rindo e dizer para ela o quanto eu sinto falta e quanta diferença ela fez na minha vida. Mas como sabe, as vezes o cérebro é meio babaca, eu tenho essa coisa de “vou ligar pra vó” e um segundo depois eu lembro que eu não posso fazer isso mais.

saindo do armário

I want to know

Mãe, pai, família e amigos

Eu sei que isso pode ser difícil para vocês, depois de todos esses anos, descobrir algo sobre mim dessa forma. Eu que alguns de vocês vão pensar “Eu sabia!” e outros serão pegos de surpresa, e possivelmente vão pensar “O que eu fiz de errado?”, mas não consigo ignorar essa vontade de contar a verdade, de finalmente me aceitar e ser aceita por quem eu realmente sou.
Eu estou cansada de mentir para vocês, continuar essa fachada que me consome. Vocês não fizeram nada de errado, tentaram o seu melhor, e eu também tentei, por tanto tempo eu tentei me encaixar, entender e me encontrar, mas cada vez que eu tentei, tudo só piorou e eu acabava com mais dúvidas do que respostas. Eu me sinto livre dessa forma, agora eu consigo entender que aceitar a verdade pode realmente te libertar.
Obviamente isto não foi uma tarefa fácil para mim, longe disso. Eu ainda preciso me purificar de todos estes anos tentando me encaixar, tentando encontrar razão onde não há nenhuma. Eu ainda tenho muito a aprender, mudar, deixar essa culpa sem nexo desaparecer e deixar esse peso de centenas de anos de medo e vergonha.
Sim, eu sou ateísta e me orgulho disso.
Eu sei que isso não é para todos e que, infelizmente, a maioria não aceita, respeita ou entende. Eu estou feliz por finalmente ver o mundo com estes novos olhos. Eu posso enfim entender que algumas coisas não são mais importantes, que poder, dinheiro, ambição, inveja, ódio, preconceito e ignorância, essas coisas não significam nada quando em frente a novos valores como amor, respeito, efemeridade, liberdade e igualdade.
Eu não odeio um deus ou deuses, eu simplesmente não acredito que eles existam. Talvez eu mude minha opinião quando, e se, existir alguma evidência, mas no momento, isso não é possível.
Eu não ligo se você tem uma religião ou não, se você acredita em um ou em múltiplos deuses, ou até mesmo no monstro de spaghetti voador, eu não dou a mínima. Para mim, se você é uma boa pessoa, se você me respeita e respeita os outros, ótimo, perfeito, mas por favor, não tente me converter, não me insulte, e não tente forçar suas crenças em outras pessoas. E o mais importante, nunca, nunca, tente passar por cima dos direitos daqueles que pensam de forma diferente da sua. Nunca.
É simples, não deveria ser tão difícil viver em paz.
p.s.: Eu me sinto bem fora do armário.

Sopa

palavra cantada

Eu nasci ali no finzinho da década de 70 e dei sorte de ter bastante música boa para ouvir durante minha infância. Tinha a Turma do Balão Mágico, Trem da Alegria, e ainda tinha Vinícius de Moraes e Toquinho com álbuns como a Arca de Noé, volume I e II, onde reuniram nomes como Ney Matogrosso, Clara Nunes, Paulinho da Viola, Tom Jobim, Grande Otelo e outros.

Claro que tinha a Xuxa, mas era mais pelos desenhos do que pelas músicas que eu assistia os programas. Algumas músicas grudavam na cabeça, como a do “quem quer pão, quem quer pão, quem quer pão?” (vai me dizer que você não lembrou da música agora mesmo?) ou Ilariê e tinha até a que provocava lágrimas falando do Xuxo.

Mas quando meu filho nasceu em 1994, não tinha muita variedade de música infantil para ele ouvir. E sim, tinha a Xuxa. Gostávamos das músicas que a Eliana cantava, como a música da formiguinha e da dona aranha, mas eram músicas bem conhecidas, mais parecidas com as cantigas de roda ou músicas que aprendíamos na escola.

Meu filho acabou crescendo ouvindo bastante Legião Urbana, Titãs, Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii, Ira! e por aí vai. Claro que era diversão garantida cantar a música da formiguinha que subia pelo pé ou a música do pato pateta, mas não era muito fácil achar tudo isso em CD ou DVD, e Internet ainda estava longe de ser o que é hoje.

Mas hoje, ahh, esse mundo novo! É tão mais fácil encontrar coisas boas usando a Internet. Meu afilhado de 2 anos é fã da Palavra Cantada, dupla formada pelo Paulo Tatit e Sandra Peres. Eu não conhecia até ver aqueles vários CD’s e DVD’s que ele tem, e que dança e canta junto o tempo todo. As músicas são ótimas, as letras super interessantes, nada daquelas letras para criar gente burrinha, sabe como? É paixão à primeira ouvida.

Me divirto vendo o pequeno cantar e dançar a cada música que começa. Os DVD’s também são ótimos, a cada clipe eles tem jogos, exercícios, trabalham cores, coordenação motora, é incrível. Eu acabei comprando várias músicas para ter no celular para ele ouvir (viva a Amazon) quando viajamos juntos. Confesso que até precisei comprar algumas para uso próprio, porque amei as músicas e acordava cantando e queria ouvir a música toda.

Ainda vou conversar com a mãe e o pai do Bernardo para que eles mesmos escrevam como foi a jornada em busca de música brasileira de qualidade. Garanto que eles vão adicionar mais alguns nomes na lista de boa música para crianças.

Quer ter uma ideia do que eu estou falando? Dá uma olhada nos clipes deles na TV palavra cantada e na Radio Palavra Cantada.

Não deixe de ouvir a música Sopa, é uma das minhas preferidas, como você deve ter percebido. Você pode acompanhar a dupla também pela Página no Facebook, para saber datas dos shows e outros lançamentos.

E claro, se prepare para dar umas pás de bolo para seu neném cantar junto. Eu já fiz minha parte de madrinha e equipei meu afilhado com as suas próprias pás de madeira, para batucar a vontade pela casa.

Depois me conte se você e seu neném gostaram das músicas.